Liberdade
Você abriria mão da sua liberdade? Aceitaria alguém
controlando cada passo da sua vida? Certamente não. Começamos a vida sendo
expulsos do aconchego materno, levamos um tapa do obstetra de plantão, somos
então pesados, medidos e nossa impressão digital é colhida na sala de parto
(Tudo bem pensado por aquele cara que chamam de médico. Primeiro ele usa uma
máscara para ficar difícil de reconhecer e depois já tem nossa digital para nos
acusar. Cobrar aquele tapa no bumbum de volta é impossível, melhor deixar pra
lá.). Somos colocados no berço ou na cadeirinha, e nossos pais tomam todas as
decisões (chegam a nos vestir de marujos aos
6 meses de idade! Quem aguenta?). Somos levados a parquinhos ou a
shoppings lotados muito tempo antes de podermos comprar o que nos agrada.
Crescendo vamos aprendendo a escolher as coisas. Nosso
primeiro grande trunfo é escolher a hora de fazer xixi e poder parar de usar
fraldas. Finalmente chegamos à escola,
vamos escolhendo a matéria que gostamos e não gostamos. O fim do ciclo de
estudos coincide com o primeiro emprego e com este temos dinheiro (é quando
descobrimos que o mês é muito longo e que o dinheiro acaba muito antes). Escolhemos
a namorada, noivamos e casamos (alguns casam sem conhecer a sogra. Pena ou
sorte? Você decide).
Olhando assim, a vida é uma caminhada até previsível. Mas
existem lobos te esperando no caminho da vovozinha. Um dos piores são as
drogas. A história se repete no consultório médico, mas não é a mesma que
contei antes. Ela começa com o experimentar, prossegue por evitar conversas
‘caretas’ e termina no vício, na escravidão. O sujeito passa a viver em função
das drogas. São elas que decidem tudo na sua vida. E a primeira coisa que elas
decidem é que você deve se afastar da própria família. Família e drogas não
combinam. São inimigas mortais. Uma sempre quer que você abandone a outra. Os
verdadeiros amigos também desaparecem, seja porque não querem ver você
afundando, seja porque afundaram e morreram numa overdose. E a vida segue... ou
não.
Normalmente, as famílias adoecem com o drogado. Pais se
separam. A tranquilidade financeira desaparece junto com televisão, celular e
outros aparelhos que se ficarem ao alcance viram mais um ‘barato’ na mão.
Aparece a depressão, a ansiedade, o medo. “Será que meu filho volta para casa?”
A grande dúvida que fica naquele ser que antes nos foi o aconchego materno, o
lugar de onde saímos para levar a palmada do médico.
Para nossa alegria, existe um Ser que comanda o universo. E
não importa que nome dão a Ele, pode ser Deus, Alá, Javé, Jeová, o importante é
que nestes momentos de dor e desespero, Ele aparece. Nestes momentos, muitas
mães são supridas pelo mesmo elemento que manteve Maria durante o suplício de
Jesus, quando o mundo inteiro batia e cuspia no ser amado que estava a caminho
da morte. No caso das drogas, a morte não é o único caminho. Existe a esperança
e o tratamento. Existe a lágrima, mas também pode existir o sorriso.
E quem nunca experimentou as drogas, continue sem
experimentar. Cresça e se torne cada dia mais independente. Torne-se o orgulho
e o arrimo da família. Repita no coração as frases: drogas, nem morto.
Mas se você está no desespero e escuridão, abra a janela para
a luz entrar. Sim, todas as manhas o sol chega para nos aquecer. É a esperança
que nos dá a certeza que estamos vivos.
Artigo da edição 266 do Jornal Gazeta de Contagem de 15/05/12 a 21/05/12

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