domingo, 27 de maio de 2012

Liberdade



Liberdade

Você abriria mão da sua liberdade? Aceitaria alguém controlando cada passo da sua vida? Certamente não. Começamos a vida sendo expulsos do aconchego materno, levamos um tapa do obstetra de plantão, somos então pesados, medidos e nossa impressão digital é colhida na sala de parto (Tudo bem pensado por aquele cara que chamam de médico. Primeiro ele usa uma máscara para ficar difícil de reconhecer e depois já tem nossa digital para nos acusar. Cobrar aquele tapa no bumbum de volta é impossível, melhor deixar pra lá.). Somos colocados no berço ou na cadeirinha, e nossos pais tomam todas as decisões (chegam a nos vestir de marujos aos  6 meses de idade! Quem aguenta?). Somos levados a parquinhos ou a shoppings lotados muito tempo antes de podermos comprar o que nos agrada.

Crescendo vamos aprendendo a escolher as coisas. Nosso primeiro grande trunfo é escolher a hora de fazer xixi e poder parar de usar fraldas.  Finalmente chegamos à escola, vamos escolhendo a matéria que gostamos e não gostamos. O fim do ciclo de estudos coincide com o primeiro emprego e com este temos dinheiro (é quando descobrimos que o mês é muito longo e que o dinheiro acaba muito antes). Escolhemos a namorada, noivamos e casamos (alguns casam sem conhecer a sogra. Pena ou sorte? Você decide).
Olhando assim, a vida é uma caminhada até previsível. Mas existem lobos te esperando no caminho da vovozinha. Um dos piores são as drogas. A história se repete no consultório médico, mas não é a mesma que contei antes. Ela começa com o experimentar, prossegue por evitar conversas ‘caretas’ e termina no vício, na escravidão. O sujeito passa a viver em função das drogas. São elas que decidem tudo na sua vida. E a primeira coisa que elas decidem é que você deve se afastar da própria família. Família e drogas não combinam. São inimigas mortais. Uma sempre quer que você abandone a outra. Os verdadeiros amigos também desaparecem, seja porque não querem ver você afundando, seja porque afundaram e morreram numa overdose. E a vida segue... ou não.

Normalmente, as famílias adoecem com o drogado. Pais se separam. A tranquilidade financeira desaparece junto com televisão, celular e outros aparelhos que se ficarem ao alcance viram mais um ‘barato’ na mão. Aparece a depressão, a ansiedade, o medo. “Será que meu filho volta para casa?” A grande dúvida que fica naquele ser que antes nos foi o aconchego materno, o lugar de onde saímos para levar a palmada do médico.

Para nossa alegria, existe um Ser que comanda o universo. E não importa que nome dão a Ele, pode ser Deus, Alá, Javé, Jeová, o importante é que nestes momentos de dor e desespero, Ele aparece. Nestes momentos, muitas mães são supridas pelo mesmo elemento que manteve Maria durante o suplício de Jesus, quando o mundo inteiro batia e cuspia no ser amado que estava a caminho da morte. No caso das drogas, a morte não é o único caminho. Existe a esperança e o tratamento. Existe a lágrima, mas também pode existir o sorriso.

E quem nunca experimentou as drogas, continue sem experimentar. Cresça e se torne cada dia mais independente. Torne-se o orgulho e o arrimo da família. Repita no coração as frases: drogas, nem morto.
Mas se você está no desespero e escuridão, abra a janela para a luz entrar. Sim, todas as manhas o sol chega para nos aquecer. É a esperança que nos dá a certeza que estamos vivos.
Artigo da edição 266 do Jornal Gazeta de Contagem de 15/05/12 a 21/05/12


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